Seu feed do Instagram parece um panfleto de supermercado de 2010? Se a resposta for sim — e na maioria dos provedores de internet (ISPs), infelizmente é —, precisamos ter uma conversa séria. Você está gritando especificações técnicas para um público que só quer assistir Netflix sem o vídeo travar.
O mercado de telecomunicações sofre de uma doença crônica: a comoditização absoluta. Fibra óptica é fibra óptica. O cliente final não sabe a diferença entre uma ONU Huawei ou ZTE, e francamente, ele não se importa. Para ele, você é uma utility. Você é como a companhia de água ou luz: ele só lembra que você existe quando o serviço falha.
E é aqui que a maioria dos CMOs e diretores de provedores erra feio na estratégia social. Eles tentam combater a invisibilidade com poluição visual. Banners neon, fontes garrafais gritando “OFERTA RELÂMPAGO” e fotos de banco de imagem com famílias sorrindo para um laptop desligado.
Isso não é marketing. Isso é ruído.
Para virar o jogo e transformar redes sociais em um canal de aquisição real (e retenção, que é onde o dinheiro mora), você precisa parar de agir como uma infraestrutura e começar a agir como um vizinho. Vamos desmontar essa estratégia e reconstruí-la do zero.
O Mito da Velocidade: Por que vender “Megas” é irrelevante
Há dez anos, vender velocidade era um diferencial. Quem tinha 10MB era rei. Hoje, a briga é entre 500MB, 600MB e 1GB. A percepção de valor marginal para o usuário comum entre 500MB e 1GB é praticamente nula para navegar no Instagram ou ver YouTube.
Quando você baseia toda a sua comunicação em “Tenho mais velocidade”, você entra em uma guerra de preços sangrenta. O concorrente baixa R$ 10,00 e você perde o cliente. Por quê? Porque não havia conexão emocional, apenas transacional.
A lealdade no setor de ISPs não vem da velocidade da luz, vem da velocidade da empatia.
Humanizar a marca não é postar “Bom dia” com a foto de um gatinho. É mostrar que por trás dos cabos e roteadores, existem pessoas locais que entendem a dor de ficar sem internet no meio de uma reunião importante.
Estratégia 1: O Técnico é o seu Influenciador
Esqueça os influenciadores digitais genéricos que nunca usaram seu serviço. O maior ativo de marketing que você tem está usando uniforme e dirigindo um carro com uma escada no teto.
Seus técnicos entram na casa das pessoas. Eles são a face real da empresa. Uma estratégia social robusta para provedores regionais deve colocar esses profissionais no centro.
Como executar isso na prática:
- Bastidores da Instalação: Um vídeo curto (Reels/TikTok) mostrando o cuidado do técnico ao passar o cabo para não estragar a estética da sala do cliente. Isso comunica “cuidado” e “respeito”, valores muito mais raros que “velocidade”.
- O Herói da Tempestade: Caiu uma árvore e rompeu a fibra? Não poste apenas uma nota de repúdio ou aviso técnico. Mostre a equipe na chuva, às 2 da manhã, trabalhando para restabelecer o sinal. Isso gera gratidão, não raiva.
- Histórias de Sucesso Local: Entreviste o dono da padaria do bairro que usa sua internet para processar pagamentos. Deixe ele falar. Isso valida sua autoridade localmente.
Hiper-Localismo: A Bala de Prata contra as Grandes Telcos
As grandes operadoras nacionais têm orçamentos bilionários, mas elas têm um ponto cego gigante: elas não conhecem o bairro. Elas operam por CEP, você opera por comunidade.
Sua estratégia de redes sociais deve ser granular. Se você atende cinco cidades, você não tem uma audiência, você tem cinco. Se você atende dez bairros distintos, cada um tem sua microcultura.
O erro comum é fazer um post genérico: “Internet Fibra disponível na Região”.
O acerto estratégico é: “Alô, moradores do Jardim Botânico! A caixa de atendimento na Rua das Flores foi ampliada. Chega de travar na hora do jogo.”
Isso exige escala. E aqui entramos em um problema operacional. Como criar conteúdo personalizado para 50 bairros diferentes sem inchar o departamento de marketing?
A Engenharia de Conteúdo e a Escala (Onde a IA Entra)
Você não consegue ser hiper-local manualmente se quiser escalar para centenas de localidades. É humanamente impossível manter a qualidade e a consistência. Você precisa de tecnologia para dar suporte à humanização.
Parece contraditório, mas a automação inteligente permite que você seja mais humano onde importa. Se você gasta 40 horas semanais escrevendo legendas básicas e criando landing pages para cada oferta de bairro, você não tem tempo para interagir com os clientes.
É aqui que a maturidade digital separa os amadores dos profissionais. A criação de milhares de páginas de entrada (Landing Pages) específicas para cada micro-região, otimizadas para SEO local e conectadas às suas campanhas sociais, é o segredo para reduzir o CAC (Custo de Aquisição de Cliente).
Soluções de AIO (AI Optimization), como a tecnologia desenvolvida pela ClickContent, estão se tornando essenciais para CMOs que querem escalar essa granularidade. Imagine ter uma página única para cada bairro que você atende, com copy persuasiva e ofertas específicas, geradas com governança e qualidade. Isso permite que seu anúncio no Facebook leve o usuário para uma experiência 100% relevante, e não para uma home page genérica onde ele se perde.
Quando a tecnologia cuida da escala da infraestrutura de conteúdo, seu time criativo fica livre para capturar aquele vídeo espontâneo do técnico ou cobrir o evento da cidade.
Gestão de Crise: O SAC 2.0 não é opcional
Não adianta ter um feed lindo se os comentários são um cemitério de reclamações não respondidas. Nas redes sociais de um ISP, o suporte técnico é o novo marketing.
Um cliente frustrado que comenta “minha internet não funciona” e recebe uma resposta robótica “ligue para o 0800” vai cancelar o serviço. A resposta pública deve demonstrar resolução imediata.
A Regra de Ouro: Tire a conversa do público, mas encerre no público.
Errado: “Chame no DM.”
Certo: “Oi, Carlos! Vi aqui que sua região teve uma oscilação. Já chamei você no DM para agendar uma visita prioritária.” -> E depois que resolver, volte lá: “Carlos, vi que o técnico João resolveu tudo. Obrigado pela paciência!”
Isso mostra para os outros clientes que você resolve. O erro técnico é perdoável; a negligência no atendimento, não.
Ofertas que Convertem: O Princípio da Escassez Real
Pare de fazer “Promoção de Verão” que dura o ano todo. Ninguém acredita nisso. Para divulgar ofertas locais, use gatilhos de escassez real baseados na infraestrutura.
Ao invés de “Assine Já”, tente:
- “Liberamos apenas 15 novas portas na CTO do bairro Centro. Garanta a sua antes que a caixa lote novamente.”
- “Instalação grátis para os primeiros 10 vizinhos da Rua X que migrarem essa semana (estaremos com a equipe na rua terça-feira).”
Isso cria um senso de urgência lógico. O cliente entende que a infraestrutura física é finita. Isso valida a oferta e acelera a decisão de compra.
Métricas: O que o Diretor precisa olhar
Likes não pagam a conta de luz dos seus servidores. Se você está apresentando relatórios de “engajamento” e “alcance” para a diretoria, você está perdendo credibilidade. O foco deve ser em métricas de negócio:
- Custo por Lead Qualificado (CPL) por Bairro: Qual região está mais cara? Por quê?
- Taxa de Conversão Social: Quantas pessoas vieram do Instagram e realmente assinaram o contrato?
- Sentimento de Marca (NPS Social): A proporção de comentários positivos vs. negativos está melhorando? Isso é um indicador antecedente de Churn.
O Futuro é Híbrido
O provedor de internet do futuro não é uma empresa de tecnologia. É uma empresa de relacionamento que usa tecnologia para entregar o serviço. A diferença é sutil, mas muda tudo.
Sua marca precisa ter pulso. Precisa ter sotaque local. Precisa ter rosto. Enquanto seus concorrentes continuam postando fotos de bancos de imagem com legendas sobre “navegar na velocidade da luz”, você estará construindo uma fortaleza de marca baseada em confiança, presença local e uma infraestrutura de conteúdo inteligente que trabalha enquanto você dorme.
A internet é invisível. Faça sua marca ser impossível de ignorar.

