A maioria dos advogados e gestores de escritórios trata o Código de Ética da OAB como se fosse uma camisa de força feita de arame farpado. Eu vejo isso há 15 anos. A reclamação é sempre a mesma: “Não posso vender”, “Não posso fazer promessas”, “O marketing jurídico é engessado”.
Se você pensa assim, tenho uma notícia ruim e uma ótima. A ruim é que você está perdendo dinheiro para concorrentes que pararam de choramingar. A ótima é que o Código de Ética, na verdade, é o melhor filtro de qualidade que existe. Ele obriga você a fazer exatamente o que o Google e os usuários mais valorizam hoje: Marketing de Conteúdo de alta densidade informativa.
Não estamos aqui para discutir “dancinhas no TikTok”. Isso é para amadores. Estamos aqui para falar de estratégia de aquisição de clientes através de autoridade técnica. Vamos desmontar o mito de que ética e lucro não caminham juntos.
O Paradoxo da “Mercantilização”
A OAB proíbe a mercantilização. Você não pode tratar o Direito como quem vende sabão em pó. E, sinceramente, você não deveria querer fazer isso. Quando você tenta vender serviços jurídicos com gatilhos mentais baratos de escassez (“Só tenho mais duas vagas para divórcio hoje!”), você não apenas fere o código; você destrói o valor percebido da sua hora intelectual.
O marketing jurídico eficaz opera na lógica da Publicidade Passiva ou, como prefiro chamar, Autoridade Provocada. Você não empurra o serviço; você atrai a demanda demonstrando que entende a dor do cliente melhor do que ele mesmo.
O cliente não compra o processo. Ele compra a certeza de que você é a pessoa mais qualificada para resolver o problema dele. E como se vende certeza? Com conteúdo educacional profundo.
SEO e E-E-A-T: O Casamento Perfeito com a OAB
Aqui a coisa fica interessante. O Google tem diretrizes rigorosas para conteúdos YMYL (Your Money, Your Life) — categorias que afetam a saúde, finanças ou segurança das pessoas. O Direito vive aqui.
Para ranquear nessas áreas, o Google exige E-E-A-T (Experiência, Especialização, Autoridade e Confiabilidade). Coincidentemente, é exatamente isso que o Provimento 205/2021 da OAB incentiva: conteúdo informativo, sóbrio e que demonstre notório saber jurídico.
Ao invés de brigar por palavras-chave genéricas e caras como “Advogado Trabalhista SP”, que atraem curiosos e leilões de preço, a estratégia inteligente foca na cauda longa da dor. Pense em:
“Quais os direitos do trabalhador com burnout diagnosticado?”
Quem pesquisa isso não está cotando preço. Está com medo, com dúvidas e procurando um especialista. Se o seu artigo de 2.000 palavras explica a jurisprudência atual, os laudos necessários e os passos legais, você não vendeu nada. Você educou. E, ao educar, você se tornou a única opção lógica na mente daquele leitor.
A Armadilha da Escala e a Governança de Conteúdo
O problema real dos grandes escritórios não é a falta de temas, é a execução. Como produzir 50, 100 artigos técnicos por mês mantendo o rigor jurídico? Um estagiário de marketing não consegue interpretar uma decisão do STJ corretamente. Um advogado sênior custa caro demais para escrever blog posts.
É aqui que muitos CMOs jurídicos entram em pânico ou cometem erros graves, usando IA generativa sem supervisão, criando alucinações jurídicas que podem gerar responsabilidade civil.
A solução está na tecnologia de governança. Você precisa de sistemas que garantam que o conteúdo seja tecnicamente impecável antes de ser publicado. É por isso que soluções focadas em Compliance e Governança de Conteúdo em escala, como a tecnologia desenvolvida pela ClickContent, estão se tornando essenciais para bancas que querem dominar a busca orgânica. A capacidade de gerar volume com uma camada de verificação rigorosa é o que separa quem faz “spam jurídico” de quem constrói um império digital.
Clusterização Semântica: O Fim das Palavras-Chave Soltas
Esqueça a ideia de escrever um artigo sobre um tema e nunca mais tocar nele. O Google (e seu cliente) quer ver profundidade. Você precisa construir Topic Clusters.
Se sua especialidade é Direito Tributário, não faça apenas um post sobre “Reforma Tributária”. Crie um ecossistema:
- Página Pilar: Guia Completo da Reforma Tributária para Indústrias.
- Cluster 1: Impacto no IPI e ICMS.
- Cluster 2: Planejamento sucessório pós-reforma.
- Cluster 3: Riscos de conformidade para o setor X.
Todos interligados. Isso sinaliza ao Google que você é uma autoridade tópica, e sinaliza ao cliente que seu escritório respira aquele assunto.
O Funnel Jurídico Invertido
No marketing tradicional, falamos muito de topo de funil. No jurídico, o dinheiro está no meio e no fundo, mas a abordagem precisa ser cirúrgica.
Topo (Consciência): O cliente sabe que tem um problema, mas não sabe que é jurídico. Ex: “Empresa com dívida bancária impagável”. Seu conteúdo aqui é puramente estratégico e de negócios, apontando o risco legal.
Meio (Consideração): Ele sabe que precisa de advogado, mas qual tipo? Aqui você entra com comparativos, estudos de caso (anonimizados, conforme a OAB permite) e teses jurídicas explicadas. Mostre o como, não apenas o o quê.
Fundo (Decisão): Aqui a OAB é rígida. Nada de “Ligue agora e ganhe a primeira consulta”. O CTA (Call to Action) deve ser sóbrio: “Agende uma reunião para análise do caso específico”. A conversão acontece pela confiança construída nas etapas anteriores, não pelo botão piscando em vermelho.
Distribuição: Onde a Batalha é Vencida
Ter o melhor artigo do mundo escondido no seu blog é inútil. A distribuição no marketing jurídico exige inteligência. O LinkedIn é, de longe, o terreno mais fértil para o B2B (Direito Empresarial, Tributário, M&A). Mas não use a página do escritório apenas para postar “Parabéns ao Dr. João pelo aniversário”. Ninguém se importa.
Use os perfis pessoais dos sócios para distribuir o conteúdo técnico. Pessoas confiam em pessoas. O artigo está no blog do escritório, mas a análise, a opinião provocativa sobre a nova lei, deve vir do perfil do advogado, linkando para o artigo completo.
Para o B2C (Previdenciário, Família, Trabalhista), o Google é rei, mas o Instagram e YouTube funcionam como validadores sociais. O cliente te acha no Google, lê seu artigo, e vai ao seu Instagram ver se você “existe” e se passa credibilidade. Se encontrar um perfil abandonado ou amador, a confiança cai.
Métricas que Importam (Além da Vaidade)
Advogados adoram métricas de vaidade. “Tivemos 10 mil likes”. Ótimo, quantos contratos isso gerou? No marketing jurídico de conteúdo, olhe para:
1. Tempo de permanência na página: Se o usuário fica 4 minutos lendo seu artigo sobre fusões e aquisições, ele é um lead qualificado. Curiosos saem em 10 segundos.
2. Páginas por sessão: Ele leu sobre a lei, depois foi para a página “Sobre o Escritório” e depois para a bio dos sócios? Esse é o comportamento de compra.
3. Origem do Lead: Rastreie se o contato veio do artigo X ou Y. Isso te diz quais teses jurídicas têm demanda de mercado real.
A Nova Era da Advocacia Digital
O mercado jurídico está saturado de generalistas e de marqueteiros que tentam burlar as regras. A oportunidade real está na excelência técnica traduzida para uma linguagem acessível. O Código de Ética não é seu inimigo; ele é a barreira de entrada que protege quem produz qualidade de quem produz ruído.
Seu escritório tem duas opções: continuar tratando o conteúdo como um mal necessário, delegando para quem não entende do riscado, ou assumir o protagonismo editorial, usando tecnologia para garantir governança e escala. O cliente já está no Google procurando respostas. A única dúvida é se ele vai encontrar o seu artigo ou o do seu concorrente.
